Espaço ALI: Psitacídeo em dia de festa

No que diz respeito ao futebol, não sou um brasileiro típico. Palmeirense apenas por herança paterna – meu pai foi um desses doentes sofredores pelo Palestra – acompanho somente os grandes jogos da seleção brasileira. Quando estudante, também não deixei qualquer marca nas participações em pelejas escolares. Do futebol de salão, no qual um amigo itatibense, o Perninha Coletti, era o craque, a única medalha que tenho é de quando fomos campeões e eu fiquei na reserva o campeonato todo.


No meio dessas juvenis recordações futebolísticas, encontro boas imagens de minha Itatiba de origem e alguns outros fanáticos adeptos do time periquito. O Seu Oliver, da sorveteria da D. Maria Del Nero, era um deles; era só passar pela sorveteria e, entre um sorvete e outro, observar as flâmulas, pôsteres e periquitos ornamentando as paredes da loja. E tinha também os sorvetes de palito verde e branco que ele produzia quando o Palestra ganhava um campeonato. Numa escola na qual trabalhei, nas décadas de 80/90 do século passado (estou velhinho!), também havia um admirador da esquadra, à época Parmalat. Inconfundível neto de italianos – portanto um grande apreciador de óperas – o professor de Biologia era um compêndio da história alviverde. Se você perguntasse sobre aquele final de campeonato que ocorreu lá pelo meio do século passado, ele forneceria a escalação de cada equipe, o resultado final, o nome do gandula e a idade da mãe do juiz.
Bem, voltando aos tempos de juventude, recordo-me do maior torcedor pelo time do Parque Antárctica. Impossível não lembrar do Pedro Riva quando se fala em palmeirenses de sangue. O fraque verde que mandou confeccionar e a cabeça de periquito que vestia, tornava-o símbolo da galera em qualquer final de campeonato com participação do verdão. Figura simpática e muito alegre, era só ter uma disputa importante e lá estava ele na arquibancada; a grande ave psitaciforme em seu traje de verde de gala.
Conhecidíssimo nos meios esportivos, na televisão era sempre citado: – Olha o Pedro Riva, o apaixonado torcedor mancha verde! Esse sim, bom exemplo de brasileiro, vacina nenhuma consegue curar da contaminação pelo vírus da bola. Caiu governo, os militares assumiram, eleição direta para presidente, a inflação subiu e desceu, outros presidentes vieram… e dá-lhe Palmeiras!
Por onde anda (ou voa?) o Pedro Periquito Riva? Hoje, o verdão está em alta, graças ao elenco atual e também à genialidade do Abel. Com essas vitórias, dá até para lembrar dos tempos de grandes títulos com Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo, Zeca, Dudu, Ademir da Guia, Edu, Leivinha, César e Nei. Bem, fiquemos atentos. Se, por acaso, no final dos vários campeonatos em curso, os comentaristas voltarem a comentar o retorno do entusiasmado periquito, o Palmeiras seguramente terá sido vitorioso. E, imaginem, o Palestra Itália ficar campeão mais uma vez! Quem sabe teremos sorvetes verde e branco e de graça na sorveteria da Maria Del Nero.

*Rubens Pantano Filho – Cadeira n.º 31 – Patrono: Mario Quintana.